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Canção de Led (Marcio Gredilha)

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14:11
Canção de Led

Quando ouço esta música imagino uma escadaria
Que me eleva para dentro de mim
Meu mundo de sombras
Onde sou dominado por meus medos
Onde todos os meus demônios
Lutam contra mim
Na ânsia de despertar
Para minha realidade materialista
Os acordes desta guitarra maldita
Me conduzem numa viagem astral
Desde a velha cidade de Eridú
Até aos confins do norte
Onde os guardiões dançam loucamente
Sobre a sepultura de seus pais
Fumando seus baseados de nêutrons
Para o desintegrar das eras...

Quando acordo desta transe
Nesta melodia suavemente
As pedras da moralidade me atingem
Sinto que as bactérias me desejam
Atraídas pelo odor de meu sangue anêmico
E de minhas chagas apodrecidas
São os vermes
A substância essencial do dia da manipulação

A bateria diabolizada
Acelera os passos na escuridão
Anti a dor de todos os escravos
Da quarta dimensão

Ao último entoar
Alguém pede perdão
Por tanta transgressão nos olhos
Vejo a luz de 'Led'
A sucumbir entre seus irmãos
Entre os adoradores de 'Marduke'
Os versos da canção
Petrificam meus neurônios
(...)

Marcio Gredilha

O meu fim (Marcio Gredilha)

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21:09
Não vejo mais motivo para ainda estar aqui.
Não há mais doçura no sorriso. ..
Confesso que hoje acordei com vontade de partir,
Com vontade de caminhar pra sempre para o fim...
Bem longe das espertezas do silêncio. ..
Estou cansado...
Cansado de compartilhar a solidão que
Cai dos meus olhos...
Chega de lembranças amargas...
Nunca pensei que fosse desistir,
Mas hoje o fracasso se aproxima lentamente...
Como se o alvo chegasse pra mim...
O meu fim...

(Márcio Gredilha).



Volte sempre... (Marcio Gredilha)

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21:33

Você é a última musa inspiradora de minha alma
Lentamente consumida...
Quando as madrugadas terminam
Surge um sol no céu...
Depois ele se vai e volta novamente...
Espero que você volte todos os dias
Como o sol...
Até mesmo em dias nublados apareça também
Para esquentar meu coração frio e velho...
Para me iluminar de brisa na solidão das tardes...
Para transformar o silêncio num mundo de paz,
Amor e respeito...

(Marcio Gredilha)

Últimas palavras... (Márcio Gredilha)

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01:54
Quando você acha que encontrou seu pedaço de paraíso,
A lua resolve despencar sobre a sua cabeça.
A noite fica mais escura,
A estrada desaparece,
Então você se perde de novo...

Mesmo assim não desista,
Pois sempre haverá a oportunidade
De uma nova tentativa,
Mesmo de forma silenciosa,
Reconsidere as palavras,
Reconsidere o tempo de luz,
Pois a vida segue em duplo sentido.
Destinos se cruzam,  almas se reencontram, Beijos acabam,
Mas ficam as saudades e as esperanças
De que o seu pedaço de paraíso
Continua vivo, intacto, a sua frente,
Louco pra te ter mais uma vez.

(Márcio Gredilha)

Perdidos... (Márcio Gredilha)

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13:13
Um dia a pregação acabou...
O vento parou de soprar...
E tudo voltou como era antes...
E os perdidos ficaram para trás...
Quantas vezes chorei olhando para os céus?
Quantas vezes ergui os braços para os céus
Tentando agarrar uma nuvem para te encontrar?
Quantas vezes transformei a noite em minha casa
Tentando achar um pontinho de luz vindo na minha direção?
Quantas vezes tentar abandonar o próprio corpo numa transe transloucada de vinho para esquecer?

E eu me pergunto agora o porquê?
Um suspiro em troca de sorriso
E longas caminhadas....
E uma decadência momentânea
Consumia a alma.

Como eu queria agora estar diante de Ti
Com o coração quebrado...
Com lágrimas nos olhos...
Os lábios sem palavras...
Vazio de mim mesmo...
Para reencontrar a minha vida
Perdida em algum cemitério de vivos...
Perdida nesse caldeirão de competitividade que se transformou o mundo....

Mas ainda tenho tempo para conhecer a verdade.
E sigo perdoando. ..
Orando. ..
Ajudando. ..
Amando...
Sendo solidário a outros perdidos...
E a alegria é tanta, nessas horas,
Que nos sentimos todos salvos....

(Márcio Gredilha)

Alucinação (Marcio Gredilha)

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12:51

Do inusitado ao óbvio...
Quem poderá parir a esperança?
Talvez você possa...

Ela era administrativa,
Mas foi cirurgicamente ao parto.
Ela era linda, a roupa sensual...
E a mulher não lembro das feições,
Em posição litotômica, e
Enclausurada em dor e risos, aguardava...
Mas apesar de administrativa,
Entendia muito bem do assunto
E realizou o parto...

Nunca passou pela cabeça que
Poderia ser gêmeos...
Tudo transcorria bem,
Até que nasceu um porco...
Apesar do silêncio,
Ninguém se espantou...
De repente o parto cirúrgico
Passou a parto normal...
E a administrativa
Com vasta experiência
Procurava pelo segundo ente primitivo,
Afastando as peles da vagina,
Apalpando a placenta cósmica...
E lá estava.... Quieto...
Um ser repleto de penas, asas, e bico,
Não sei se era galo, frango ou galinha...
E a administrativa trouxe
A irmã gêmea do porco ao mundo.

Nada pude entender:
Como uma mulher consegue gerar
Dois animais de uma só vez?
Talvez eu esteja longe do mundo atual.

O porquinho era belo e manso...

O mais estranho era a penosa,
Que já nasceu adulta, mas não cantava...
Burlou de alguma forma a transcendentalidade
Do nascimento e não experimentou
Os primeiros dias de vida como pintinho...
E quando tentava dar alguns passinhos
Em direção da mamãe, o cansaço e a dor
O impedia...

E todos, entristecidos com a dor do
Pintinho velho, choravam...

O porquinho era feliz...

A mãe de gêmeos cósmicos
Agradecia aos céus
Por encontrar uma administrativa
Tão competente para realizar o parto...

De repente aquela mulher mãe me sorriu...
Com os olhos de alegria em meio
Às secreções demoníacas e uma plateia de gente...
Onde se percebia uma divina paz passageira...

Foi então que entendi o sentido da vida
E chorei...

E lembrei da infância,
Quando nasciam crianças como eu...
Quando nasciam humanos como eu...
Mas que deixaram de ser humanos, como eu...


(Marcio Gredilha)

Eras de abrasão (Marcio Gredilha)

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17:53
Começa e termina em uma tarde o verão...
Dos olhos o sorriso de um último fã...
Nas palavras e nos passos de uma vã
E obstinada mensa de cogitação.

Pelo dever de quem propôs a cortesã,
Esperar a futura prevaricação...
Um astro de sorte e abrasão
Configurado antes de fundar Basã.

E em ritos de aplausos e absolvição.
Adormecido no confortável leito-divã
Como ser de visível solidão.

E o que era apenas um verão de maçã
Tornou-se um inferno de Satã...
A saudade e o beijo de pagão.

(Marcio Gredilha)

Cântico filosofal (Marcio Gredilha)

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18:45

Buscar... percorrer de forma angular
As torres apagadas no peito vazio...
Ainda que tente aquecer com silício,
A gélida base cristaliza o ar...

Um feito histórico para química do olhar,
Quando a seiva petrifica sem deixar resquício...
Vai além de boro a maléfica do vício,
O sentir... um composto de carbono cantarolar!

Pode o ser resistir a tal desventura?
A molécula beija a partícula na estrutura...
Pode agora o corpo acender a este amor...

Na área que me resta desse plexo bolor,
O sexo precipita as densas partes do horror
No cântico filosofal de sepultura...

(Marcio Gredilha)

Manha (Marcio Gredilha)

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10:11
Beijar de doce forma desordenada...
Deixar o acúmulo excessivo fluir da entranha...
Do mais profundo de sua recâmara... Façanha
De ligar os sensores... E calada...

De desejar as nuances que a depressiva apanha,
E em silêncio esvoaçar e embriagada
De pele e desejosa e precipitar a faga...
De louca régia de malditos! Manha...

Da hecatombe suave de tuas laivas... Agora
Eu me pergunto: Ficará os pulmões encharcados,
Oh! solidão nua dos acasos? E noite afora...

O próprio peito cumpre as qualidades...
Tão formosa de ruborizos e fatigados...
Que me perco em tantos frios e saudades!

(Marcio Gredilha)

Influência (Marcio Gredilha)

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11:38
Sou humano...
Sou uma estrutura descomplicada
Que se complica o tempo todo.
Estou próximo ao chão,
Onde as bactérias são mais humanas e quentes,
Próximo da última baforada,
Nessa maconha transcendental chamada morte...
Ah! Não é morte física...
É morte intelectual...
É morte das palavras e do vento
Que às vezes leva uma saudade sua.
É morte da capacidade de distinguir
Entre o bem e o mau...
Capacidade de compreender
A metafísica de um velho futuro
Ou de um passado novo...
Enfim, morte do raciocínio...
E o que era racional,
Agora é manipulação,
Advindo de todas as partes,
Num clímax sideral...
Num gozo cósmico onde
As particularidades
Encontram-se à tona...
Não tenho mais direito de pensar...

Envelhecido pelos obstáculos
E pelo som inabalável da verdade.
Sou humano...
Sou parte de uma colmeia...
Sou malabarista...
Apaixonado...
Com medo de provar a saliva
De teus segredos mais profundos
E enigmáticos...
Onde brota um azul tão soberano
Quanto a fé...
E conduz seus olhos...

Sou um ser que compartilha o mundo,
Sem saber quem sou...
Atordoado com a façanha do batimento cardíaco,
Que espalha a química do amor
Em meu sistema circulatório...
É quando percebo a primavera
Que brota da alma,
E fico maravilhado com as flores
Que nascem do jardim de Deus.
Deus! Tu és meu criador!

Meu Pai!

(Marcio Gredilha)

Amor sideral (Marcio Gredilha)

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00:30

Meu amor transcende o ideal,
O inconsistente, a incomensurável razão,
O percurso da consciência por mera distração.
É tão puro que condiciona o fim...
E materializa a dor na forma de canção.

Encontra a madrugada, como sonho de criança,
Como uma estrada que termina no silêncio
De meu olhar cansado e triste.

Meu amor é o antiverso do versátil,
Um desencontro fatal e impreciso.
Que se lança no precipício
E alcança as labaredas de seus olhos.

Não preciso de beijos com asas,
Nem de abraços com fogo de pétalas...
Nem do cheiro daquela última tarde...
Nem do toque que penetra a flama...
Preciso apenas de uma dança,
De uma última dança...

E percorrer a sorte ao som do véu,
(Ao som que morre no peito...
Que nasce no peito...
Que vive no peito...
Que acaba no peito...
Que volta pro peito...)
Para um despeitar de alegria.

Mas decido guardar o amor,
Ah, Guardar a verdade que vejo através do vento...
Mesmo não estando aqui,
Consigo separar a sua realidade atual,
Daquilo que quero esquecer...

As lágrimas são as chuvas da alma,
Que inundam o meu momento...
Mas meus passos, embora curtos,
Levam-me na direção do sonho...
E a vida tounou-se, toda ela, um sonho,
Não consigo acordar...
E ver apenas a definição de quem sou.

Pode durar uma vida, um dia, um minuto,
O amor que transcende o sideral...

(Marcio Gredilha)



Você se foi e eu ainda estou aqui ( Marcio Gredilha )

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19:03

Juro que tentei eternizar o seu último cigarro, para que o nosso momento se prolongasse, e não consegui.
Juro que tentei segurar a noite, para que a tarde não acabasse, e não consegui.
Mesmo implorando para que você ficasse, você se foi e ainda levou todos os meus sonhos...
E, agora restou a noite vazia, sem o seu sorriso e as nossas músicas preferidas para ouvir...

A madrugada amanhece aos poucos, sem o brilho dos seus olhos e, eu ainda estou aqui, no mesmo lugar que você me deixou... Fico parado olhando as primeiras horas do dia, como se fossem as primeiras de uma nova vida, mas não é possível... Aliás, é impossível tentar uma nova vida ou tentar esquecer um amor, em pleno amanhecer. O que me resta é sofrer ou guardar esperança de reencontrá-la, ainda hoje, antes de um outro anoitecer.

Ah, se pudesses provar do meu amor...
Ah, se pudesses tocar o meu amor...

Saberias a minha verdade que, exclusivamente, pertence a você e tudo sobre o meu amor que não consigo parar de eternizar...

O amor eterniza as horas e os minutos do dia, como se absorvesse o silêncio da vida, no combustível para o sofrimento...
E, eu estou assim, em meio a essa comodidade, que nunca acaba, que nunca deixa de eternizar... Apenas não entendo, como não conseguiu eternizar, nossos últimos momentos, nossos últimos beijos, nossas últimas palavras... Nosso último encontro...

Parece que estou condenado a este eterno amor.

( Marcio Gredilha )

Feio bem aventurado ( Marcio Gredilha )

1
18:12

Meus amigos dizem que sou sortudo
Mas na verdade sou triste...
O que para uns parece sorte para mim é morte.
Aliás, eu acho que já estou a um passo da meta...

Eu costumo dizer que sou um cara quadrado vivendo nesse mundo redondo e Cheio de curvas...

Eu costumo dizer também que sou um feio bem-aventurado,
Pois todas as mulheres que tive são lindas...

Poderia colocar aqui uma lista com o nome de todas as principais.
Mas não posso, pois todas elas, de certo modo, me marcaram.

Hoje, em solidão, sofro de verdade por uma delas,
até que apareça outra...

( Marcio Gredilha )

Pensamentos

3
20:52
Pensamentos

Sou tétrico na forma de compreender
e só assim consigo encontrar a
paciência necessária para resistir
a violência com que sou abordado,
todos os dias, por precoce desejo insólito.
São esses que se aproveitam
da fragilidade de um coração em pedaços...
em seu escatologismo amórfico me inflama
de esperança em menção do memorável ser
que me convence de conversar propenso
ao que se perde e elevar-se de um comprazer
que se não tem.
O que me torna inválido, improdutivo,
inconstante e insensato é o seu fim,mas quando
nasce, o realejo se torna um ementário
de pensamentos e desatino:e flui em poesia.
O que poderia ser um incorfomismo
incomutável da alma adormecida
em um súbito voar?
Agora eu sei o que é o
amor.