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Eras de abrasão (Marcio Gredilha)

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17:53
Começa e termina em uma tarde o verão...
Dos olhos o sorriso de um último fã...
Nas palavras e nos passos de uma vã
E obstinada mensa de cogitação.

Pelo dever de quem propôs a cortesã,
Esperar a futura prevaricação...
Um astro de sorte e abrasão
Configurado antes de fundar Basã.

E em ritos de aplausos e absolvição.
Adormecido no confortável leito-divã
Como ser de visível solidão.

E o que era apenas um verão de maçã
Tornou-se um inferno de Satã...
A saudade e o beijo de pagão.

(Marcio Gredilha)

Cântico filosofal (Marcio Gredilha)

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18:45

Buscar... percorrer de forma angular
As torres apagadas no peito vazio...
Ainda que tente aquecer com silício,
A gélida base cristaliza o ar...

Um feito histórico para química do olhar,
Quando a seiva petrifica sem deixar resquício...
Vai além de boro a maléfica do vício,
O sentir... um composto de carbono cantarolar!

Pode o ser resistir a tal desventura?
A molécula beija a partícula na estrutura...
Pode agora o corpo acender a este amor...

Na área que me resta desse plexo bolor,
O sexo precipita as densas partes do horror
No cântico filosofal de sepultura...

(Marcio Gredilha)

Manha (Marcio Gredilha)

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10:11
Beijar de doce forma desordenada...
Deixar o acúmulo excessivo fluir da entranha...
Do mais profundo de sua recâmara... Façanha
De ligar os sensores... E calada...

De desejar as nuances que a depressiva apanha,
E em silêncio esvoaçar e embriagada
De pele e desejosa e precipitar a faga...
De louca régia de malditos! Manha...

Da hecatombe suave de tuas laivas... Agora
Eu me pergunto: Ficará os pulmões encharcados,
Oh! solidão nua dos acasos? E noite afora...

O próprio peito cumpre as qualidades...
Tão formosa de ruborizos e fatigados...
Que me perco em tantos frios e saudades!

(Marcio Gredilha)

Amar-te (Marcio Gredilha)

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16:30
Amar... A delicadeza de seus traços.
O gosto de boca açucarada.
E os olhos perdidos de estrada.
Queria tê-la, em meus braços!

Amar... Na direção de seus passos.
E o cheiro de pele suada.
E os desejos de noite estrelada.
Queria tê-la, como em laços!

Perdido no tempo e no espaço.
Sangro paixão de verso devasso.
Para amar-te, mais um pouco.

Por seu sorriso e semblante faço,
O silêncio fugir do peito escasso,
Para amar-te, feito louco.

(Marcio Gredilha)

Suposto deus ( Marcio Gredilha )

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21:27
Em tempos de um gigantesco patamar;
A maldade que abduz silênciosamente...
Tribulacionista paz de um cenário vertente,
Na era de aquário... alienígena do ar.

Seres intergaláticos frequentimente;
Do pulsar celeste para o humano olhar.
Mística visualização do ufo ausente...
Mas os governos querem compartilhar.

A virtualização física e espititual;
A tecnologia de um ser carnal,
Transformando pessoas em réus!

Cria de um contato de além-mestre,
Querem fazer de Deus um extraterrestre,
Para que um suposto ovni seja Deus!

( Marcio Gredilha )

Sentimento I (Canto de Rea II )

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02:14
Acorda e ainda o sonho,
Sorri sem nenhuma ansiedade.
Morrendo de alegria sem alarde
Nesse verso a quem disponho.

Encontra a mesma realidade
No beijo mais risonho.
Às vezes tão medonho
E com a alma em novidade.

Meu barco é tão bisonho
Sem asas de luminosidade.
Como um olhar tristonho

Sentimento puro e de verdade,
Em meu peito agora ponho!
Amor: um silêncio de saudade.


GREDILHA,marcio (in cartas de um inventor)

Desejo II

2
19:35
Como bálsamo escaldante,
Embevecido de cravo duradouro.
E dormente em pétalas de ouro,
No beijo, o orvalho escoante...

Como lágrima errante,
Sonho e rosas de agouro.
Fere como espinho de louro
Das faces lácteas penetrante...


Como néctar e pergaminho,
Sangue derramado em vão.
Sépala de lua no caminho...


Buquê sem partes da paixão,
Brasas que aquece o ninho,
Da mais louca ilusão...

Politicando Brasil
Estrelando soneto
.

Rascunho de vento...

2
15:50
Assim brota a esperança,
O orvalho do sorriso é derramado...
Tens o sol dos cinzentos grado,
E a virgindade da presente dança.

E dos lábios ainda a abastança.
E de nardo os seios é lavado.
Tens os olhos da lua emoldurado...
E o benigno catre da criança.

Desses conforme a rosa
E como a brisa perfuma o anoitecer :
A fecúndia dor é formosa.

Ainda encontra um louvor,
Como o sereno nas asas, um morrer...
Na lamúria espectral do amor.


GREDILHA,marcio.

Estrelando soneto
.

Dom amor...

5
20:48
Qual dom se renova a cada encanto,
Faz da vida um verso, do sonho um pensamento?
Eterniza as palavras de um momento
E na lembrança regata o novo canto?

Às vezes nasce com um pranto,
Voa com um pássaro no coração do vento.
Morre na lua como todo esquecimento,
E dos olhos faz da estrela um recanto.

Provoca um caminhar constante
Sem tocar os lábios da alma errante.
Somente em silêncio e a dor é o fim.

Quando anoitece a noite obedece
E ao fim do beijo a saudade acontece.
Seria esse o dom amor ? __ Sim!

GREDILHA,marcio

Estrelando soneto
Politicando Brasil
.

Fim...

3
00:28
Entendimento tolo, amor vão,
Meus sonhos...Tão triste agora
Vejo as estrelas. A lua chora
E o encanto corre do coração.

Os pássaros amam a solidão.
Destino meu, lágrimas da hora.
Carícias e beijos vão embora
E a dor recorre ao perdão.

Os anjos se foram para o mar...
Como um som, uma esperança,
Um sol de sangue em meu olhar.

A poesia reflete um jardim,
Os lábios morrem da lembrança
No amor que chegou ao fim.


Politicando Brasil
Estrelando Soneto

Amor e eternidade...

6
16:00
Amor e eternidade...


É o único som que acalma,
O único dom que resiste...
Tão puro que ainda insiste,
É fonte de segredos da alma.

Dentro dos olhos o relento...
Confuso por uma dor ausente,
Inocência tão inconseqüente
De um céu-prazer aumento...

Posso consternar mar sozinho.
Com destreza posso crescer,
Sempre em meu caminho.

Em recíproca que deseja crer,
Que o sentir eternize juntinho:
Amor que não ouso descrever...

Politicando Brasil
Estrelando Soneto

GREDILHA,marcio.

Laços

6
21:22
Laços

Quero me entender de todo esse amor.
A face a distância e, ou virtudes...
E deixar tão nosocômio minhas atitudes
Dentro de um fim... O calamor.

Ainda sim desejável não esqueça.
Sendo posso ser, sou simplesmente,
Polipétalo herbívoro vivente
Ou macróbio imaginário quer pareça.

Simples assim é assim mesmo, antes, pois
Com sua alegria de nuvem passa
E tudo deixa de ser a dois.

Para viver na solidão achando graça
E o mesmo coração chora, mas depois
Volta pra mulher que enlaça.


GREDILHA,marcio.

Estrelando soneto
Politicando Brasil

Morte ou Destino

12
06:52
Morte ou Destino


Por que vens sob a forma de descanso
Com seu hálito frio e o gesto rápido?
Anda a espreitar o ambiente meio inválido
Arranca todo sorriso com esse teu ranço.

Por que vens com esse teu cachimbo árido
Nos roubar a hora que ao tempo lanço?
Na incerteza de teu beijo às vezes canso
De tão rouco amor em teu olhar pálido.

Por que vens assim em silêncio por fama?
Jamais poderei requerer-te a cama.
Pois da vida restou-me um estar sem eira...

Por invenções que agora esqueço
Tu vens assim porque assim mereço
Por mais alvar me encontro a beira...


GREDILHA,marcio.

Estrelando soneto
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Procura

5
21:06
Procura


Simples sem saber o que conduz
A fobia radiante que me espera.
Sou escravo dessa arte, quem me dera,
Fosse pouca a ilusão que me traduz.

Em silêncio a profundeza que me enterra
O olhar encontra formas bem a luz
Dentro do vício que me empresta a cruz
Passo a ser poeta como eu era.

Estático, triste e impuro.
Encontro pétalas sem virtudes, procuro
Na solidão que faz nascer a dor :

Momento sublime entre almas
Ambos caminham sob palmas
Por doença, ciúmes e amor.

GREDILHA, marcio.

Canto de rea

6
04:41
Canto de Rea


Mistério dessa alma deprimente
Pródigo em meu desejo conhecido.
Pensamento de triste é algo parecido
Nesses tempos de agora é presente.

Da usura que desbrava um gemido
Empresta última sorte e voa contente,
Volta por um beijo mais ardente
Para resgatar de mim um céu-bramido.

Escriturário do amor não encontrava.
O óbito romanceou por onde eu andava
Transbordando a existência de pouca fama.

Consumindo seca derramando vida...
Minha doente introspecção perdida.
Nenhum de meus amores me reclama!




GREDILHA,marcio

Sem inspiração

1
19:58
Sem inspiração




Esse pequenino quarto é impressionante
Como esse vento mesquinho que se desloca,
Minha inspiração se foi e nem se toca,
Deixando-me aqui prisioneiro do instante.

Nada restou se não o silêncio, a falta de luz e morte.
O silêncio é a arma contra a insônia, tão covarde!
Mesmo na falta de luz, nunca será tarde...
Mas se eu morresse agora, seria pura sorte!

Simplesmente fora de si, me encontro à toa,
Sonhando uns sonhos de Paris, Dalas e até Lisboa.
Bem longe da rotina de escrever em vão...

Nesse terceto último, esqueço e escrevo,
Sobre a lástima de um ser... Me auto-descrevo:
Quão amargosa é a falta de inspiração!



GREDILHA,marcio.

Sofrimento

2
19:58
Sofrimento


Hoje estou em silêncio, sem saber,
Em busca desse íntimo bocejo...
De paixão que escorreu de um beijo
Poderia cantar ou sorrir e crescer.

Meu retrato está longe de viver.
A luz artificial do amor eu vejo.
Apenas a primavera esbranquiçada posso ter,
Na distância de tudo que mais desejo...

Na alvura de toda minha trajetória,
Simplificada pelo sonho agora
Apaga o momento e toda história.

É o fim por dentro e por fora
Sem lembrança, sem lágrima e memória...
Morte! Envelheci na dor, já é hora...


GREDILHA,marcio.

Solidão

0
17:55
Solidão


Palavra triste, voar sozinho, chorar,
Sem ter amigos e todos me condenando.
Solidão nos olhos continuo andando,
Sem saber ao menos oque procurar.

Momento de dor desejo de voltar.
O esquecimento é o meu mundo e cantando...
Minhas lágrimas de amor me deixando,
Pra sorrir sem razão de amar.

Vivo e sem entender, o tempo passou.
E por entre palavras de um canto ficou...
Das estrelas canta meu coração.

Dessa vida erguida de esperança,
Meu Deus há em mim uma criança,
Pedindo paz e perdão.


GREDILHA,marcio

Imaturidade

2
02:30
Imaturidade


Esteticamente infeliz,
Em minhas grutas, um louvor.
Singela revelação de amor
Por tão fétida meretriz...

No ilusionismo que prega,
Essa maldita depressão é pavor!
Um buquê de rosas é minha dor,
Que um poderoso encanto rega...

Calado em minha desesperança,
Um pouco sem alma e herança,
Recolho do céu a cena...

A escuridão inflama agora.
Ainda que Deus ilumine por fora,
Por dentro restaria pena.
.


GREDILHA, marcio.