Canto de rea

6
04:41
Canto de Rea


Mistério dessa alma deprimente
Pródigo em meu desejo conhecido.
Pensamento de triste é algo parecido
Nesses tempos de agora é presente.

Da usura que desbrava um gemido
Empresta última sorte e voa contente,
Volta por um beijo mais ardente
Para resgatar de mim um céu-bramido.

Escriturário do amor não encontrava.
O óbito romanceou por onde eu andava
Transbordando a existência de pouca fama.

Consumindo seca derramando vida...
Minha doente introspecção perdida.
Nenhum de meus amores me reclama!




GREDILHA,marcio

Sem inspiração

1
19:58
Sem inspiração




Esse pequenino quarto é impressionante
Como esse vento mesquinho que se desloca,
Minha inspiração se foi e nem se toca,
Deixando-me aqui prisioneiro do instante.

Nada restou se não o silêncio, a falta de luz e morte.
O silêncio é a arma contra a insônia, tão covarde!
Mesmo na falta de luz, nunca será tarde...
Mas se eu morresse agora, seria pura sorte!

Simplesmente fora de si, me encontro à toa,
Sonhando uns sonhos de Paris, Dalas e até Lisboa.
Bem longe da rotina de escrever em vão...

Nesse terceto último, esqueço e escrevo,
Sobre a lástima de um ser... Me auto-descrevo:
Quão amargosa é a falta de inspiração!



GREDILHA,marcio.

Sofrimento

2
19:58
Sofrimento


Hoje estou em silêncio, sem saber,
Em busca desse íntimo bocejo...
De paixão que escorreu de um beijo
Poderia cantar ou sorrir e crescer.

Meu retrato está longe de viver.
A luz artificial do amor eu vejo.
Apenas a primavera esbranquiçada posso ter,
Na distância de tudo que mais desejo...

Na alvura de toda minha trajetória,
Simplificada pelo sonho agora
Apaga o momento e toda história.

É o fim por dentro e por fora
Sem lembrança, sem lágrima e memória...
Morte! Envelheci na dor, já é hora...


GREDILHA,marcio.

Noite

1
19:58
Noite

A noite parece eterna, as estrelas se perdem.
A chuva que cai é como lágrimas nascendo da lua.
O silêncio é triste enquanto uma bala perdida corta os céus.
Não pode o mar nascer de um sorriso ou o amor triunfar-nos.
De onde estou eu vejo a morte, eu ouço vozes, eu sinto
A dor de um beijo. As crianças correm de um lado para o outro
Com as suas asas coloridas, respirando um perfume sem luz e
Pisando o chão ao lado de um corpo: um sonho morto.
De onde estou a paisagem é triste. Tudo é triste: a falta de Deus,
A vida, a música... Tudo é triste.
A fumaça surge ao longe em meio a solidão e a saudade.
Sabe, pode ser pra sempre o amor. De onde estou, eu vejo a
Paisagem. Tudo é triste: A falta de Deus, os olhos, a vida,
A música. Em fim,tudo é triste.

Anjinho

1
19:58
É tão anjinho.
-- Dorme anjinho!
Tão pequenininho.

Meu querido anjinho,
Tão bonitinho
Que nasceu pra mim.

-- Olha esse anjinho!
Já bate palminhas pra mim.
É tão lindinho.

--Nossa! Esse anjinho,
Já está dando passinhos pra mim.
É tão fragilzinho.

--Agora meu anjinho,
Dói-me saber
Que logo vai crescer
E me deixar sozinho.

Oh! Meu anjinho,
Jamais esqueça
O seu paizinho.

--Agora dorme meu anjinho,
Dorme anjinho!



GREDILHA, marcio

Definições III

0
19:58

Prontamente meu verso encosta,
E sutilmente a música entoa...
O sentimento de amor amontoa...
A perfeita ação de quem gosta.
Morrer não é o que me atordoa,
É o pássaro que não canta
É a borboleta que não voa.
Quando te amo morrer não importa,
Vivo como a borboleta na porta
E só me entrego a uma pessoa...
A natureza tem um dom que soa,
Como o canto de um pássaro que renuncia,
A própria vida, por um sonho a toa...
Apenas um último beijo magoa
E finda a minha poesia.



GREDILHA, marcio.

Inspiração II

0
19:58
Pouco a pouco em
Alguma liberdade,
Na condicional
Reforma preciosa.
De certo modo,
Caçador de
Numerosa...
Criação de lágrima
E saudade.
Princípio de um grão
Pesadamente,
Pegado voasse
Subindo
Eternamente.
Em obediência
Dessa estrela
Em gratidão.
Mãe infeliz
Da inspiração,
Que denuncia
Para sempre
Um menino poeta
Sem razão.
Pesar de mim...
Tão contente
Meus restos na
Barcaça lentamente,
Vai se destacando
Ao mesmo som
Que despertou
Em mim
O eterno dom.
Na alegria
De viver assim
Morrendo
Dentro
De mim...



GREDILHA, marcio.

Antisuspeito

3
19:58
Antisuspeito


Nessa entrância extraordinária
Perdida no aminoácido.
Super-homem sintético é pálido
Como semblante de luz presidiária.

Psicose pseudo quaternária
De uma infância entregue ao revertéreo.
Rádio, tônico, um reboco etéreo...
Psicodélico de proeza literária.

O anti-higiênico mercurocromo
Ab-roga o sub-reino de um gomo...
Aquém de um radical sonhar.

Nas sutilezas de um raio gama.
A luz que cerceia a raça-humana
Apaga quando deixo de pensar...




GREDILHA, marcio.

Definições

1
18:53
Na juventude a velhice
Vivencia.
A magnitude desse
Produto louco...
Roubando a cena, o verso,
A alegria.
Ser poeta é morrer
Pouco a pouco...
Na instância cruel
Da covardia, o
Símbolo da vergonha
É meu ronco...
E a força de têmpera
Dor.
Galopa na inspiração
Desconhecida, que a
Ocasião apagou do
Amor.
Ser poeta é não
Ter vida...



GREDILHA,marcio.

Solidão

0
17:55
Solidão


Palavra triste, voar sozinho, chorar,
Sem ter amigos e todos me condenando.
Solidão nos olhos continuo andando,
Sem saber ao menos oque procurar.

Momento de dor desejo de voltar.
O esquecimento é o meu mundo e cantando...
Minhas lágrimas de amor me deixando,
Pra sorrir sem razão de amar.

Vivo e sem entender, o tempo passou.
E por entre palavras de um canto ficou...
Das estrelas canta meu coração.

Dessa vida erguida de esperança,
Meu Deus há em mim uma criança,
Pedindo paz e perdão.


GREDILHA,marcio

Fragmentos de tristeza II

1
02:44
Descanso na tristeza
Infinita.
Juntinho na solidão
Eterna...
É dor que parece
Interna,
Dentro dos meus olhos,
Grita...


Perto de um beijo a razão
Inverna.
Destino infeliz que auto-
Reabilita...
Quando meu verso apaga a
Escrita,
Cronologicamente da luz
Interna.


Acordar pelas noites com um
Preceito.
Roubando sorrisos em lágrimas que
Escorrem,
Para as inimigas invenções do
Peito.


Meus cavalos de neve
Correm,
Perdidamente triste sob um olhar
Perfeito.
Por onde literários e artríticos
Morrem.


Infinita tristeza encoberta de arte e
Sorte,
Cheia de luz e
Morte...


Encontro-te,
E agora,
Amo-te...



GREDILHA,marcio.